
Estou pensando seriamente em traduzir este post para o blog que estou mantendo em inglês, o http://abitofchange.wordpress.com. Desde que cheguei na Espanha, bem verdade que um dia antes de as aulas começarem, toda vez que falo que sou jornalista e que estou fazendo o Master em Telecomunicações e Negócios Digitais, todos me perguntam: “mas como?” “o que você está fazendo
Eu diria que o setor de mídia é o que está mais perdendo com a convergência entre as indústrias. Por quê isso está acontecendo, se o que todas elas estão buscando é o tal do conteúdo, que, como diriam muitos, é rei? Porque é o que está demorando mais para se adaptar, mesmo sabendo o que as outras indústrias estão tentando aprender: fazer conteúdo de qualidade e, de preferência, que tenha audiência. As empresas de mídia são as que mais estão demorando para se adaptar às mudanças, cada vez mais rápidas, que os tais dos bits trouxeram. Enquanto as empresas de comunicação assistem, abismadas, a tudo o que está acontecendo, as telcos da vida, empresas de software, vide Google e afins, hardware, a
Elas poderiam ter sido o iTunes. Elas poderiam ter sido o YouTube. Mas com medo de sair da zona de conforto, de perder a hegemonia do conteúdo, para não ter que reestruturar aquilo que, ohmeuDeus, por tanto tempo estava dando tão certo!, essa indústria perdeu o bonde.
Engraçado que quando os calouros entram no curso de Jornalismo, eles se vêem escrevendo para um jornal, para uma revista, as meninas “queroserAnaPaulaPadrão” se vêem como âncoras de jornal. Alguns poucos ainda se vêem fazendo rádio, e os mais antenadinhos são loucos para trabalhar no Globo Online, Terra, ou qualquer outro grande portal de conteúdo. Eu acho isso tudo, realmente, muito engraçado. E mesmo quando eu saí, estava vindo para a Espanha estudar administração (sim, o curso é de administração em telecomunicações), alguns ainda vinham me dizer: “não se preocupe, você vai apresentar o Jornal Nacional”, como se fosse o sonho da minha vida!
Bom, mas voltando ao engraçado. Não que eu seja apocalíptica, mas eu vejo uma diminuição enorme na audiência dos maiores jornais da televisão, nos jornais em papel, nas revistas em papel, no rádio. (diminuição na audiência das grandes empresas, não desaparecimento do meio!!!!) Mas não vejo os profissionais de mídia desaparecendo, e sim, um aumento gigante nas possibilidades para quem quer se dedicar a isso. O negócio é que agora a lógica é outra, o mercado é outro, a época é outra. As possibilidades vão dos conteúdos interativos, à hipersegmentação do mercado, diminuição do custo de produção e veiculação de conteúdos, o que abre espaço para mais produtores, conteúdos para celular, IPTV, Tv Digital, vish, tanta coisa! (um post, prometido, para separar o joio do trigo: o que é UGC, o que é conteúdo profissional, etc, de onde pode vir o negócio, etc). E esse ano, só para aumentar a bagunça, os ditos dos serviços baseados em localização começam a sair do imaginário dos geeks e afins para ganhar espaço no mercado. Google Latitude está aí para comprovar que não estou mentindo. A título de curiosidade, mais da metade das start-ups apresentadas no Mobile Peer Awards do Mobile World Congress tinham alguma relação com serviços baseados
A indústria de telecomunicações já está falando em Web 3.0, ou Internet of Things (vale a pena ler esse artigo, (os conceitos são vários, e a vocês, assíduos leitores, prometo um post explicando o que é o que). E a mídia, ainda está COMEÇANDO a abrir os olhos para a internet 2.0 (sim, outro post, anterior, para discutir os conceitos). Sempre um passo atrás. E os cursos de comunicação estão na Internet 1.0 ainda... assim não dá, minha gente!
Engraçado é que eu também entrei pensando em trabalhar em um jornal. E saí pensando em abrir um milhão de empresas! Ainda me vejo trabalhando com o setor multimídia, produção de conteúdo, mas adicionei várias outras opções, nada a ver com comunicação, à listinha de possibilidades. Além do mais, hoje em dia as empresas de telecomunicações, Hardware e Software, contando aí os gigantes da internet, me interessam muito mais do que as empresas de mídia, que possivelmente, vão ser abocanhadas pelas primeiras.
Voltando a pergunta inicial, o que uma jornalista faz em um curso de telecomunicações? Volto a pergunta, por que não tem mais jornalistas fazendo esse maldito curso? Na minha sala tem alguns engenheiros (indústria de HARDWARE), alguns que fizeram Ciências da Computação (SOFTWARE), quem trabalhou com INTERNET, e engenheiros de TELECOMUNICAÇÕES. Não está faltando um setor importante, pessoal ligado a convergência? E do setor de mídia? Considerando a tal da convergência, que todo mundo acha que sabe o que é, mas na verdade poucos entendem, como mais pessoas do setor de mídia não estão tentando entender todas essas mudanças para não serem engolidos, se este é um dos maiores atores nesse cenário? O que falta na maioria das empresas são profissionais que consigam compreender tudo isso e transformar em novos produtos.
Escrever lead, meus caros, já virou comodity. (Jornalistas, não me entendam mal. Como eu disse antes, eu vejo mais oportunidades agora do que antes.)
Próximo post: as tais oportunidades!