Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Reativando o blog, mil coisas acumuladas











Estou pensando seriamente em traduzir este post para o blog que estou mantendo em inglês, o http://abitofchange.wordpress.com. Desde que cheguei na Espanha, bem verdade que um dia antes de as aulas começarem, toda vez que falo que sou jornalista e que estou fazendo o Master em Telecomunicações e Negócios Digitais, todos me perguntam: “mas como?” “o que você está fazendo em um Master de telecomunicações?” ou “tem louco para tudo neste mundo”. Que tem louco par tudo neste mundo é bem verdade. Cada vez que ouço a pergunta não sei se fico brava ou mais feliz. Afinal, se estão me fazendo esta pergunta é porque não tem a mínima noção das mudanças pelas quais a mídia, o setor de telecomunicações, informática, incluindo aí hardware e software, estão passando. O que, diga-se de passagem, é uma oportunidade imensa para todos aqueles que entendem, gostam, querem trabalhar, ou etc, no setor de produção de conteúdo.

 

Eu diria que o setor de mídia é o que está mais perdendo com a convergência entre as indústrias. Por quê isso está acontecendo, se o que todas elas estão buscando é o tal do conteúdo, que, como diriam muitos, é rei? Porque é o que está demorando mais para se adaptar, mesmo sabendo o que as outras indústrias estão tentando aprender: fazer conteúdo de qualidade e, de preferência, que tenha audiência. As empresas de mídia são as que mais estão demorando para se adaptar às mudanças, cada vez mais rápidas, que os tais dos bits trouxeram. Enquanto as empresas de comunicação assistem, abismadas, a tudo o que está acontecendo, as telcos da vida, empresas de software, vide Google e afins, hardware, a la Nokia, reagem, aprendem, interagem, inovam, e entram na área da mídia. Não que elas saibam o que fazer daqui pra frente. O cenário é tão instável, que não há como prever exatamente o que vai acontecer daqui pra frente. Mesmo os campeões de audiência online, como Facebook e Youtube, cada um em sua área, não sabem ainda exatamente o que fazer com essa audiência, como gerar receita a partir delas. Tenho alguns pitacos, como todo mundo que de uma forma ou de outra se interessa pelo tema, mas deixa para outro post.

Elas poderiam ter sido o iTunes. Elas poderiam ter sido o YouTube. Mas com medo de sair da zona de conforto, de perder a hegemonia do conteúdo, para não ter que reestruturar aquilo que, ohmeuDeus, por tanto tempo estava dando tão certo!, essa indústria perdeu o bonde.

            Engraçado que quando os calouros entram no curso de Jornalismo, eles se vêem escrevendo para um jornal, para uma revista, as meninas “queroserAnaPaulaPadrão” se vêem como âncoras de jornal. Alguns poucos ainda se vêem fazendo rádio, e os mais antenadinhos são loucos para trabalhar no Globo Online, Terra, ou qualquer outro grande portal de conteúdo. Eu acho isso tudo, realmente, muito engraçado. E mesmo quando eu saí, estava vindo para a Espanha estudar administração (sim, o curso é de administração em telecomunicações), alguns ainda vinham me dizer: “não se preocupe, você vai apresentar o Jornal Nacional”, como se fosse o sonho da minha vida!

            Bom, mas voltando ao engraçado. Não que eu seja apocalíptica, mas eu vejo uma diminuição enorme na audiência dos maiores jornais da televisão, nos jornais em papel, nas revistas em papel, no rádio. (diminuição na audiência das grandes empresas, não desaparecimento do meio!!!!) Mas não vejo os profissionais de mídia desaparecendo, e sim, um aumento gigante nas possibilidades para quem quer se dedicar a isso. O negócio é que agora a lógica é outra, o mercado é outro, a época é outra. As possibilidades vão dos conteúdos interativos, à hipersegmentação do mercado, diminuição do custo de produção e veiculação de conteúdos, o que abre espaço para mais produtores, conteúdos para celular, IPTV, Tv Digital, vish, tanta coisa! (um post, prometido, para separar o joio do trigo: o que é UGC, o que é conteúdo profissional, etc, de onde pode vir o negócio, etc). E esse ano, só para aumentar a bagunça, os ditos dos serviços baseados em localização começam a sair do imaginário dos geeks e afins para ganhar espaço no mercado. Google Latitude está aí para comprovar que não estou mentindo. A título de curiosidade, mais da metade das start-ups apresentadas no Mobile Peer Awards do Mobile World Congress tinham alguma relação com serviços baseados em localização. Ok, outro post.

A indústria de telecomunicações já está falando em Web 3.0, ou Internet of Things (vale a pena ler esse artigo, (os conceitos são vários, e a vocês, assíduos leitores, prometo um post explicando o que é o que). E a mídia, ainda está COMEÇANDO a abrir os olhos para a internet 2.0 (sim, outro post, anterior, para discutir os conceitos). Sempre um passo atrás. E os cursos de comunicação estão na Internet 1.0 ainda... assim não dá, minha gente!

Engraçado é que eu também entrei pensando em trabalhar em um jornal. E saí pensando em abrir um milhão de empresas! Ainda me vejo trabalhando com o setor multimídia, produção de conteúdo, mas adicionei várias outras opções, nada a ver com comunicação, à listinha de possibilidades. Além do mais, hoje em dia as empresas de telecomunicações, Hardware e Software, contando aí os gigantes da internet, me interessam muito mais do que as empresas de mídia, que possivelmente, vão ser abocanhadas pelas primeiras.

Voltando a pergunta inicial, o que uma jornalista faz em um curso de telecomunicações? Volto a pergunta, por que não tem mais jornalistas fazendo esse maldito curso? Na minha sala tem alguns engenheiros (indústria de HARDWARE), alguns que fizeram Ciências da Computação (SOFTWARE), quem trabalhou com INTERNET, e engenheiros de TELECOMUNICAÇÕES. Não está faltando um setor importante, pessoal ligado a convergência? E do setor de mídia? Considerando a tal da convergência, que todo mundo acha que sabe o que é, mas na verdade poucos entendem, como mais pessoas do setor de mídia não estão tentando entender todas essas mudanças para não serem engolidos, se este é um dos maiores atores nesse cenário? O que falta na maioria das empresas são profissionais que consigam compreender tudo isso e transformar em novos produtos. 

Escrever lead, meus caros, já virou comodity. (Jornalistas, não me entendam mal. Como eu disse antes, eu vejo mais oportunidades agora do que antes.)

Próximo post: as tais oportunidades!

 

Domingo, 9 de Novembro de 2008

Pesquisa sobre apropria'cao do celular

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Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Tendência: TV paga + Web 2.0 + celular

Do Teletime news:
Turner alia canais de TV paga a web 2.0 e celular

A programadora Turner deve lançar no próximo ano um site baseado no conceito de web 2.0 para o canal Boomerang. A informação é de Pablo Zuccarino, diretor de meios digitais do Cartoon Network para América Latina. "Estamos nos preparando para um 2009 muito forte. Entre os nossos planos, está continuar a expansão do Cartoon Network 2.0, com novas seções e ferramentas e conteúdo, o lançamento de um site 2.0 para o canal Boomerang e o fortalecimento do CN Celular, lançando sua versão 2.0 também", diz.

No início de junho de 2008, a programadora lançou na América Latina o Cartoon Network 2.0, que permite às crianças participar de uma comunidade online, criar avatares personalizados, expressar suas opiniões, participar de bate-papo com os amigos, assistir a clipes e episódios dos programas e baixar conteúdo com os personagens do canal para o celular (games, vídeos, ringtones e protetores de tela). Conforme participam das atividades online, os usuários ganham créditos que podem ser usados para desbloquear conteúdos especiais. No final de outubro, quatro meses após o seu lançamento, o site já registrava um milhão de usuários em toda a América Latina.


Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Celular como mídia


Celular 3 G Como MíDia

From: prigrison, 4 days ago


Celular 3 G Como MíDia
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Trabalho apresentado no Intercom Sul 2008.


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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Jeffrey Sachs: The digital war on poverty

Se algum dia vocês precisarem de um texto com uma visão distorcida da inclusão digital, ai está.
Coloca todo o poder do mundo na tecnologia. Não vejo desta forma. Nem um pouco. Parece que ele nunca esteve em um país de terceiro mundo. Que história é essa de pobreza extrema apenas em lugares isolados? Se eu andar duas quadras acima, encosto no pé de uma favela. E nem precisaria andar tanto... Colocar no celular todas as possibilidades do mundo é uma maneira no mínimo simplista de ver esta questão, bastante complexa, por sinal. O acesso a tecnologia é apenas um ponto da inclusão. O acesso aos conteúdos, as informações corretas e a forma como se pode processá-las e utilizá-las de forma coerente são outros desafios, ainda em fase inicial.

Tenho alguns textos bons sobre inclusão. Mais complexos. Idéias mais complexas e embasadas também. Uma boa referência é o CPqD o portal de Inclusão Digital, onde tem vários links.

Mas enfim, um bom início de discussão, alguém? alguém?
Qual sua opinião?

Texto do Guardian.co.uk
Jeffrey Sachs: The digital war on poverty

The digital divide is beginning to close. The flow of digital information – through mobile phones, text messaging, and the internet – is now reaching the world's masses, even in the poorest countries, bringing with it a revolution in economics, politics, and society. Extreme poverty is almost synonymous with extreme isolation, especially rural isolation. But mobile phones and wireless internet end isolation, and will therefore prove to be the most transformative technology of economic development of our time. The digital divide is ending not through a burst of civic responsibility, but mainly through market forces. Mobile phone technology is so powerful, and costs so little per unit of data transmission, that it has proved possible to sell mobile phone access to the poor. There are now more than 3.3 billion subscribers in the world, roughly one for every two people on the planet. Moreover, market penetration in poor countries is rising sharply. India has around 300 million subscribers, with subscriptions rising by a stunning eight million or more per month. Brazil now has more than 130 million subscribers, and Indonesia was estimated to reach 120 million. In Africa, which contains the world's poorest countries, the market is soaring, with more than 280 million subscribers. Mobile phones are now ubiquitous in villages as well as cities. If an individual does not have a cell phone, they almost certainly know someone who does. Probably a significant majority of Africans have at least emergency access to a cell phone, either their own, a neighbour's, or one at a commercial kiosk. Even more remarkable is the continuing "convergence" of digital information: wireless systems increasingly link mobile phones with the internet, personal computers, and information services of all kinds. The array of benefits is stunning. The rural poor in more and more of the world now have access to wireless banking and payment systems, such as Kenya's famous M-Pesa system, which allows money transfers over the phone. The information carried on the new networks spans public health, medical care, education, banking, commerce, and entertainment, in addition to communications among family and friends. India, home to world-leading software engineers, hi-tech companies, and a vast and densely populated rural economy of some 700 million poor people in need of connectivity of all kinds, has naturally been a pioneer of digital-led economic development. Government and business have increasingly teamed up in public-private partnerships to provide crucial services on the digital network. In the Indian states of Andhra Pradesh and Gujarat, for example, emergency ambulance services are now within reach of tens of millions of people, supported by cell phones, sophisticated computer systems, and increased public investments in rural health. Several large-scale telemedicine systems are now providing primary health and even cardiac care to rural populations. Moreover, India's new rural employment guarantee scheme, just two years old, is not only employing millions of the poorest through public financing, but also is bringing tens of millions of them into the formal banking system, building on India's digital networks. On the fully commercial side, the mobile revolution is creating a logistics revolution in farm-to-retail marketing. Farmers and food retailers can connect directly through mobile phones and distribution hubs, enabling farmers to sell their crops at higher "farm-gate" prices and without delay, while buyers can move those crops to markets with minimum spoilage and lower prices for final consumers. The strengthening of the value chain not only raises farmers' incomes, but also empowers crop diversification and farm upgrading more generally. Similarly, world-leading software firms are bringing information technology jobs, including business process outsourcing, right into the villages through digital networks. Education will be similarly transformed. Throughout the world, schools at all levels will go global, joining together in worldwide digital education networks. Children in the United States will learn about Africa, China, and India not only from books and videos, but also through direct links across classrooms in different parts of the world. Students will share ideas through live chats, shared curricula, joint projects, and videos, photos, and text sent over the digital network. Universities, too, will have global classes, with students joining lectures, discussion groups, and research teams from a dozen or more universities at a time. This past year, my own university – Columbia University in New York City – teamed up with universities in Ecuador, Nigeria, the United Kingdom, France, Ethiopia, Malaysia, India, Canada, Singapore, and China in a "global classroom" that simultaneously connected hundreds of students on more than a dozen campuses in an exciting course on global sustainable development.
In my book The End of Poverty, I wrote that extreme poverty can be ended by the year 2025. A rash predication, perhaps, given global violence, climate change, and threats to food, energy, and water supplies. But digital information technologies, if deployed cooperatively and globally, will be our most important new tools, because they will enable us to join together globally in markets, social networks, and cooperative efforts to solve our common problems.
Copyright: Project Syndicate, 2008.

Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

A tal da sétima media

Para quem quer entender mais do assunto, vale a pena dar uma olhada nesta apresentação de Tomi Ahonen. Qualquer dúvida, se eu souber responder, contact me. Ou aproveite as facilidades da internet, e entre em contato com ele, diretamente.

Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

Mobile Web Megatrends

Dia 8 de setembro vou participar do Mobile Web Megatrends, evento que procurará apontar e discutir as principais tendências em internet móvel no mundo.
Entre os palestrantes estão líderes de mercado, como Nokia, ESPN Mobile, Opera, AdMob entre outros.
Ajit Jaokar apresenta o evento , da Futuretext, cujo blog, o OpenGardens, está entre os mais influentes do mundo no assunto. Está nos links recomendados, ao lado.
Vamos tentar trazer entrevistas com os palestrantes do evento. Em português aqui e em inglês lá. Aliás, aproveitando, recomendo os livros da editora. É preciso importar, eles ainda não são vendidos no Brasil.
O meu desafio no evento é apresentar a situação do Brasil e as oportunidades que o país oferece. Falar do Brasil, no entanto, é sempre muito complicado. Ao mesmo tempo que é super desenvolvido em algumas áreas, em outras...
Enfim, em se tratando de telecomunicações, o crescimento e desenvolvimento do país desde 1998, ano das privatizações, foi espantoso. As empresas investiram mais de R$100bi desde então. O país é o quinto maior mercado de celulares em número de aparelhos, mas está no primeiro lugar no ranking de carga tributária sobre serviços de telecomunicações. Ao mesmo tempo em que tem a maior comunidade no Orkut e tem a população que mais tempo passa na frente do PC (sim, o acesso a internet pelo celular ainda está restrita a 2,8% dos acessos), comemora o acesso de metade da população a internet em 2009.
O preço dos serviços, como ligações e SMS, é um dos mais caros da América Latina, o que restringe o uso. Muito disso está ligado aos impostos. Um cartão de 10 reais acaba resultando em 7 para o usuário e 3 para o governo. Aí surge a política do toquinho, e mesmo a aceitação das mensagens!
E a conclusão geral, de todas as palestras que já assisti, dos artigos, livros é de que sem repensar e reestruturar os modelos de negócio, não vai ter jeito.
Partindo disso, qual é o mercado para a Mobile Web no Brasil? O que pode decolar aqui? Quais os pontos que precisam ser detalhadamente observados para transformar esta evolução das tecnologias em serviços relevantes para os brasileiros? Quem é esse público?

O Brasil não é o Japão. Em resumo, é isso que eu preciso traduzir.
Ajudas, como sempre, são muitíssimo bem-vindas!